A Inteligência Artificial transformou-se em um ativo estratégico — e também em um novo campo de responsabilidade para os Conselhos de Administração e Consultivos. Mas a linha que separa a atuação estratégica do Conselho e a execução tática da gestão continua a mesma: orientar, não operar.

O papel do conselheiro é fazer as perguntas certas, não programar algoritmos.

O lugar da I.A. na governança corporativa

A IA deve ser tratada como um tema transversal dentro da governança corporativa. Ela impacta finanças, operações, marketing, riscos, pessoas e reputação — portanto, precisa estar presente nas discussões do Conselho tanto quanto ESG, compliance e cibersegurança.

O Conselho não precisa decidir qual ferramenta usar, mas deve garantir que exista:
– uma estratégia clara de uso da IA, alinhada ao planejamento corporativo;
– políticas que assegurem uso ético e responsável;
– mecanismos de gestão de riscos tecnológicos;
– e métricas de impacto sobre o desempenho nos negócios.

Três perguntas que o Conselho deve fazer

1. Como a IA apoia os objetivos estratégicos da empresa?
— A tecnologia está sendo usada para eficiência operacional, inovação ou vantagem competitiva?

2. Quais riscos novos surgem com seu uso?
— Há exposição de dados, vieses algorítmicos ou dependência excessiva de fornecedores?

3. A cultura da empresa está preparada para essa transição?
— Os colaboradores entendem o papel da IA e as responsabilidades éticas envolvidas?

Essas perguntas são o início da governança digital, onde o Conselho supervisiona princípios, não processos.

Limites e responsabilidades do Conselho

O Conselho não substitui os gestores e técnicos que operam a IA no dia a dia. Sua função é garantir coerência estratégica, acompanhar indicadores e aprovar políticas.

Um bom conselheiro não tenta “decidir pela operação”, mas assegura que as decisões tecnológicas estejam alinhadas ao propósito corporativo, à consultoria empresarial que apoia o negócio e às diretrizes éticas da organização.

Como incorporar a IA na agenda estratégica

– Incluir “IA e Inovação Digital” como item fixo nas pautas de comitês.
– Exigir relatórios periódicos sobre riscos e oportunidades tecnológicas.
– Promover workshops entre Conselho e executivos sobre tendências de IA.
– Reforçar a capacitação digital dos próprios conselheiros.

A maturidade digital do Conselho é parte da maturidade da gestão empresarial. Sem esse preparo, qualquer plano estratégico se torna frágil diante da velocidade das mudanças.

Conclusão

A Inteligência Artificial não substitui o papel humano no Conselho — mas redefine o que significa liderar com visão de futuro. Cabe aos conselheiros garantir que a IA sirva à estratégia, e não o contrário.

Em tempos de algoritmos, o ativo mais raro continua sendo o mesmo: julgamento humano com propósito.